Como funciona a caixa-preta de um avião?

A caixa-preta é constituída de dois mecanismos de gravação: um que só grava áudio e outro que registra dados da aeronave durante o vôo. O primeiro, chamado cockpit voice recorder (CVR), grava tudo o que é captado por, geralmente, três microfones: um do comandante, um do co-piloto e outro que fica em um painel na parte de cima da cabine, pegando o som ambiente. O outro mecanismo, o flight data recorder (FDR), registra os chamados parâmetros, que podem ser velocidade do avião (tanto em relação ao vento quanto ao solo), as posições em que os manetes (alavancas que controlam as turbinas) foram colocados, o momento em que determinados botões foram acionados etc. Muitos aviões têm o CVR e o FDR em caixas-pretas separadas, mas a tendência é que eles fiquem juntos, como nas caixas mais modernas.

Geralmente a caixa-preta é fechada com parafusos, mas depois de um acidente o mais comum é cortar a tampa para retirar os chips e colher as informações. A leitura dos chips é feita por um computador, que converte os parâmetros em gráficos e, nos equipamentos modernos, pode até recriar o vôo em 3D, como em um videogame .

A tampa que reveste os componentes eletrônicos é composta de uma liga ultra-resistente de titânio e aço. Além disso, uma espécie de esponja protege os componentes do calor. Uma caixa-preta pesa cerca de 4,5 quilos e suporta um impacto de mais de 3 mil vezes esse peso. Resiste por uma hora a uma temperatura de 1 100 ºC e por 10 horas a 260 ºC .

A caixa-preta grava informações vindas de todas as grandes áreas do avião: motor, asas, freios etc. Mas a caixa não se comunica diretamente com elas. Sensores reúnem os dados de cada área e os encaminham para a unidade de aquisição, geralmente posicionada sob a cabine. Esse equipamento junta tudo e manda para a caixa através de apenas dois cabos (um de áudio e outro de parâmetros) .

O posicionamento da caixa dentro do avião é tão importante quanto a blindagem para manter os gravadores intactos em caso de acidente. Ela fica na cauda da aeronave, que costuma ser a última parte a sofrer o impacto da queda.

Quando o sistema de gravação usava fitas magnéticas (como as dos cassetes), uma caixa-preta não suportava mais do que 100 parâmetros (dados da aeronave) e 30 minutos de áudio. Quando excedia esse limite, passava a gravar em cima dos dados antigos. Mas hoje, como a gravação é digital (como nos computadores), o limite passou para 700 parâmetros e duas horas de áudio.


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